sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

     
um rio brilha porque beija a pedra e dorme no mar



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quinta-feira, 4 de julho de 2013

águas de maya

meu amigo, o mundo
é azul da cor do caos
e toda água
é a coincidência do mar
no rio
deve ser amor




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sexta-feira, 21 de junho de 2013

NÃO SE ILUDAM!

não é revolução, não é impeachment, não tem segredo:
a crise é política.

as manifestações tomaram conta do imaginário e elas tem que continuar até que os "representantes" se manifestem de forma digna e pertinente, ou seja, não dando opinião pra repórter, mas encurvando-se ao povo e ao que nós temos a dizer.

não se iludam!!! a euforia tem dias contados... por isso, temos que nos organizar em pequenos e múltiplos grupos. a política é uma coisa descentralizada, de atuação precisa e contínua. essa ilusão de revolução russa ou francesa é ilusão de querer ser ideologia dominante. e Matrix e V de Vingança são filmes muito heroicos à la Hollywood.

temos que elaborar os anseios da nossa diversidade e parar com essa discussão de diferenças e classes. não estou negando que elas existam, claro que existem. mas a discussão já não pode ser mais essa, pq os interesses são incontáveis e não podem ser medidos. quem vai dizer o que é melhor? não podemos eliminar o diferente, mas aprender a coexistir num espaço possível. não é utópico, basta saber ouvir e negociar. grande parte da vida é lidar com as perdas e os ganhos. não existe justiça plena.

temos que nos preparar para saber o que exigir e como agir com aquilo que estamos exigindo. não queremos mais uma sociedade vertical, onde o que queremos é demandado pelo mundo, mas sim que o mundo atenda às necessidades articuladas da sociedade. a internet tratou de ajudar a derrubar de vez o muro de Berlim. queremos fronteiras estreitas e difusas convivendo num mesmo espaço. o que quero dizer é que a política deve ser controlada pelas populações, na medida em que construimos essa abertura. a democracia é muito mais que uma simples questão de quantidade. quantidade é nazismo pq elimina a minoria em prol de uma maioria que, mesmo sendo maioria, é totalmente diversificada, assim como a minoria. a democracia representativa já não faz o menor sentido e todo mundo sabe disso, mas até agora tava com preguiça de assumir.

tenho certeza que a partir do momento que a sociedade civil, na sua multiplicidade, possa se organizar e atuar efetivamente com propostas e projetos sociais, a coisa muda. muda porque é fatal quando as pessoas notam que é possível - elas vão lá e fazem. justamente como surgiu essa manifestação do tamanho que está.
ou vcs acham que não há suficientes: engenheirxs, obreirxs, médicxs, professorxs, indígenas, artistas, economistas, etc... para se organizarem?

o caminho é o funcionamento descentralizado por autogestões em distintos seguimentos da sociedade, misturando grupos e seus variados interesses, e o Estado deve funcionar como um mediador político. e isso quer dizer: com muito menos gente, salários mais próximos de algo sano e que atue com reais representantes, de preferência da sociedade civil.

assim como não se pode deixar de lado o social, tãopouco o capital. as coisas custam dinheiro. e acredito que alguns vão perguntar "mas e o capital vai querer bancar isso?". realmente acredito que o capital não tem muita opinião, ele quer render. não cabe a ele pensar. o problema é que atualmente quem deveria pensar por nós para aplicá-lo, da forma como estamos estruturados, são governantes que, de fato, não pensam em nós. quem tem que pensar é a sociedade, e se ela o fizer, vai render do mesmo jeito. a diferença é que vai haver esforço para melhorar. estaremos mais atentos e responsáveis por nós mesmos. não estamos porque não nos encarregamos disso, mas delegamos alguém.

a gente tem que aprender que a política é a nossa permanência no mundo, é negociar os espaços, é o maior dos cotidianos. e acreditar é o primeiro passo para a agir. NÃO é utopia, é um processo longo, mas já começou...



domingo, 16 de junho de 2013

luna en escorpio

el extranjero descalzo
galopa más que habla,
sus dudas exageran hasta
la noche

puede ser que la fe
lo ayude a mover la casa
de lugar
pero el camino no es
la orilla
de espaldas al sol
así escucha la primavera

se desparrama en la sombra
cuando estira la demencia
de volverse al olvido
acordarse es parte del entorno

cree en imágenes
que imagina
sin tenerlas
como un hilo del agua

su tiempo no sirve
para medir los tentáculos
exhaustivos de la repetición
pues revela un salto
por galope


domingo, 5 de maio de 2013

por favor, menos texto e mais palavra.

os códigos se misturam entre si e nada parece mundano. o som é absorvido e o corpo reage, só que deseja uma revivência transgressora. a água vira vapor dentro de uma bolsa e escapa por pequenos buracos esparsados, que apenas desobstruem. o som oferece reconhecer em si mesmo a resposta, na matéria bruta. ecoa no escuro alto da serra, mas a resposta se mantém perguntando. a síndrome da perfeição pede precisão na emissão sonora e saluda, ao mesmo tempo que o ritmo cotidiano segue espontaneo, até se desmentir. ruídos longos e largos pelos poros lunáticos. futuro que se afasta ao chegar perto. toda palavra será castigada sem lugar para estar. sem avisar, a música sai e de súbito relembra que não existe quando; flui no grau certo para existir. o mito da dose exata, das vozes ajustadas pelo silêncio oriental, onde haikai. atravessa o que é e encaixa. o mundo a incorpora e tarda em modificar-se, de acordo com o relógio. a resposta exerce uma posição de pergunta em tictac de movimento cântico, mantendo um desconhecido sentido de rumores. 
 
é como a música dissimula a expressão do tempo pela palavra.