sexta-feira, 21 de junho de 2013

NÃO SE ILUDAM!

não é revolução, não é impeachment, não tem segredo:
a crise é política.

as manifestações tomaram conta do imaginário e elas tem que continuar até que os "representantes" se manifestem de forma digna e pertinente, ou seja, não dando opinião pra repórter, mas encurvando-se ao povo e ao que nós temos a dizer.

não se iludam!!! a euforia tem dias contados... por isso, temos que nos organizar em pequenos e múltiplos grupos. a política é uma coisa descentralizada, de atuação precisa e contínua. essa ilusão de revolução russa ou francesa é ilusão de querer ser ideologia dominante. e Matrix e V de Vingança são filmes muito heroicos à la Hollywood.

temos que elaborar os anseios da nossa diversidade e parar com essa discussão de diferenças e classes. não estou negando que elas existam, claro que existem. mas a discussão já não pode ser mais essa, pq os interesses são incontáveis e não podem ser medidos. quem vai dizer o que é melhor? não podemos eliminar o diferente, mas aprender a coexistir num espaço possível. não é utópico, basta saber ouvir e negociar. grande parte da vida é lidar com as perdas e os ganhos. não existe justiça plena.

temos que nos preparar para saber o que exigir e como agir com aquilo que estamos exigindo. não queremos mais uma sociedade vertical, onde o que queremos é demandado pelo mundo, mas sim que o mundo atenda às necessidades articuladas da sociedade. a internet tratou de ajudar a derrubar de vez o muro de Berlim. queremos fronteiras estreitas e difusas convivendo num mesmo espaço. o que quero dizer é que a política deve ser controlada pelas populações, na medida em que construimos essa abertura. a democracia é muito mais que uma simples questão de quantidade. quantidade é nazismo pq elimina a minoria em prol de uma maioria que, mesmo sendo maioria, é totalmente diversificada, assim como a minoria. a democracia representativa já não faz o menor sentido e todo mundo sabe disso, mas até agora tava com preguiça de assumir.

tenho certeza que a partir do momento que a sociedade civil, na sua multiplicidade, possa se organizar e atuar efetivamente com propostas e projetos sociais, a coisa muda. muda porque é fatal quando as pessoas notam que é possível - elas vão lá e fazem. justamente como surgiu essa manifestação do tamanho que está.
ou vcs acham que não há suficientes: engenheirxs, obreirxs, médicxs, professorxs, indígenas, artistas, economistas, etc... para se organizarem?

o caminho é o funcionamento descentralizado por autogestões em distintos seguimentos da sociedade, misturando grupos e seus variados interesses, e o Estado deve funcionar como um mediador político. e isso quer dizer: com muito menos gente, salários mais próximos de algo sano e que atue com reais representantes, de preferência da sociedade civil.

assim como não se pode deixar de lado o social, tãopouco o capital. as coisas custam dinheiro. e acredito que alguns vão perguntar "mas e o capital vai querer bancar isso?". realmente acredito que o capital não tem muita opinião, ele quer render. não cabe a ele pensar. o problema é que atualmente quem deveria pensar por nós para aplicá-lo, da forma como estamos estruturados, são governantes que, de fato, não pensam em nós. quem tem que pensar é a sociedade, e se ela o fizer, vai render do mesmo jeito. a diferença é que vai haver esforço para melhorar. estaremos mais atentos e responsáveis por nós mesmos. não estamos porque não nos encarregamos disso, mas delegamos alguém.

a gente tem que aprender que a política é a nossa permanência no mundo, é negociar os espaços, é o maior dos cotidianos. e acreditar é o primeiro passo para a agir. NÃO é utopia, é um processo longo, mas já começou...



Um comentário:

VERA ANTOUN disse...

REFLEXÃO BRILHANTE FALTA TIRAR AS PESSOAS DA INERCIA