estrago o jogo
não sossego e me entrego
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
horizonteio
movimentar-se até quando parado
é sentir que em um porto
há laços
que não fogem quereres
quanto mais origens guardadas
fica tudo amarrado pelo laço
o que constrói quando começa
sabota em seguida
retomando o ponto de partida
em caminhos quase iguais
um dia você coleciona
um pouco de vida a cada passo
mesmo entrando no norte descompassado
e acredita que acontecer
pode não ser fácil
mas factual
e quando acontece é que você percebe
que poesia.
.
::
é sentir que em um porto
há laços
que não fogem quereres
quanto mais origens guardadas
fica tudo amarrado pelo laço
o que constrói quando começa
sabota em seguida
retomando o ponto de partida
em caminhos quase iguais
um dia você coleciona
um pouco de vida a cada passo
mesmo entrando no norte descompassado
e acredita que acontecer
pode não ser fácil
mas factual
e quando acontece é que você percebe
que poesia.
.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012
um dia torto pedi que restasse o contorno do eclipse
saí um dia que
a poesia
me causou verdade
acreditei a custar
que o tempo valia
fora da hora
normal
subiu-me aos olhos
o estio da pele
transpirando novidade
e tem gosto, cheiro e cor
de maresia
no areal.
::
a poesia
me causou verdade
acreditei a custar
que o tempo valia
fora da hora
normal
subiu-me aos olhos
o estio da pele
transpirando novidade
e tem gosto, cheiro e cor
de maresia
no areal.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
derrubar
o poder sustenta tudo.
então não me venha com papinho
de imperialista água de côco
ou socialista de anarco morto.
vamos pensar em gente como o mundo
que domina
e traz a hierarquia desde o ínfimo segundo fecundo.
a lei independe onde tudo interdepende
e é necessário que a matéria exista
no tempo de sua duração.
mas então o espaço é afirmação.
e como se não houvesse outro jeito, nos forçamos ao esforço,
pois somos incapazes de agir respeitando as veias fluidas.
por que elas estruturam se nós reinventamos?
incapacidade de aceitar o mistério?
insistência de um sistema nervoso que não foi convidado?
seguimos rasurando os ditos de nós
sobre nós,
acreditando e não
na utopia e na humanidade
do que se constrói através e à margem da palavra.
é claro que há renovação,
no tempo de sua duração
e por afirmação.
onde for possível notar, nunca nos falta nada,
mas tudo poder
por pouco transformar.
:::
então não me venha com papinho
de imperialista água de côco
ou socialista de anarco morto.
vamos pensar em gente como o mundo
que domina
e traz a hierarquia desde o ínfimo segundo fecundo.
a lei independe onde tudo interdepende
e é necessário que a matéria exista
no tempo de sua duração.
mas então o espaço é afirmação.
e como se não houvesse outro jeito, nos forçamos ao esforço,
pois somos incapazes de agir respeitando as veias fluidas.
por que elas estruturam se nós reinventamos?
incapacidade de aceitar o mistério?
insistência de um sistema nervoso que não foi convidado?
seguimos rasurando os ditos de nós
sobre nós,
acreditando e não
na utopia e na humanidade
do que se constrói através e à margem da palavra.
é claro que há renovação,
no tempo de sua duração
e por afirmação.
onde for possível notar, nunca nos falta nada,
mas tudo poder
por pouco transformar.
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terça-feira, 19 de junho de 2012
brincar is no play
progride o processo que não está em jogo. o sangue escapa nessas valas de experiência na redundância dos gestos. circula no que o cotidiano consiste em acontecer. recortamos a gravura do momento e não podemos prever pralém da crença. o desconhecer se desmerece e o embate de não ser só resiste por querer. desmemorie-se do oriente e note se nada é meta, se meio descarrega ou se tudo ajeita. é preciso muita evolução pra conseguir se perceber fora de si sem querer se meter a ser. conectar-se ao devir sem a ilusão de compromete-lo ao peito do mais forte. há paixões que desencadeiam o fluxo desenfreado da pulsão, onde força não se basta em gente sem coisa. reflita como os bichos dominam os espaços e transitemos em comum. loucura faz parte do eixo.
existe sujeito naquilo enquanto diferença, amor no rompimento, e poesia quando descompassa. o capricho brota do galope desvairado da disputa, a conversa traiçoeira de mimetismos, invadida por entrelinhas, que se abarca com sutilezas. e adivinha, vence quem a conduz com destreza a ponto de se convencer do próprio disparate. e adivinha, perde quem se esforça demais para tal. a luta funciona como alegoria, distraindo a atenção dos mais fracos. e numa democracia a maioria é sempre mais a fraca, pois a minoria representa a resistência que é jamais o sim ou o não, mas o porém (aqui o ponto crucial do progresso). não se domina poder por puro valor, pois os interesses chovem incêndios em cima das trocas.
o céu engana todo de azul, a ideia emburrece o mito da aldeia, dominações idiossincráticas pifam o império da alienação e o que nos reverbera de alguma maneira já aconteceu.
:::
DOMINAÇÃO
antes era luta
hoje ainda é
jogo
-----------------------------------------
PATATI PATATÁ
estalou a maquete:
existe diferente
e mesmo diferente
resiste ou remete.
patatipatatá patatipatatá...
:::
quinta-feira, 14 de junho de 2012
outono outorgado
I
outono de segunda feira
faz manhã com as maritacas
pipocando o espaço
esverdeando o ar
das andorinhas
que reinam sozinhas e sempre
em bando
quando não vem urubu
rasante no desprezo
do silêncio
todas elas esticam o sol
com largas voltas
no horizonte
impressionando de céu
o azul
II
maritacas pipocam a tarde
também
num céu para carneiros
signos de Bahia
a revanche dos povos
extraterrenos
contracenam com o ballet
sem sonata
dos xavantes de metal
sobrevoam o outeiro
da glória
do outono ao carnaval
com intermináveis comunhões de parcimônia
ao desejo primário
de respirar além do sonho
brasileiro
fertilizar natureza para semear mentes
e as nuvens não explicam os
pássaros
graças ao mito
simbolizam espaços.
outono impressionado
::
segunda-feira, 11 de junho de 2012
jumingo
era um dia doce com tomate
tinha gosto de relva
derretida
Cléo partiu a metade
pro futuro
as malas ficaram para trás
desceram o valão do céu
não tinham tanto valor
quanto o jabuti debaixo do braço
::
poema inacabado como domingo.
tinha gosto de relva
derretida
Cléo partiu a metade
pro futuro
as malas ficaram para trás
desceram o valão do céu
não tinham tanto valor
quanto o jabuti debaixo do braço
::
poema inacabado como domingo.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
maturar
com a boca no dente
a ideia louca
aparente
repercute morna
incendeia
se transforma
e desconsola
se agride
a gamboa da elite
do saber
desconsidere a fonte
e trate de transfazer
o relevo contravenção
atravessar os dedos
sem medo do jogo
feder antes
que se remonte em asas
a ideia louca
aparente
repercute morna
incendeia
se transforma
e desconsola
se agride
a gamboa da elite
do saber
desconsidere a fonte
e trate de transfazer
o relevo contravenção
atravessar os dedos
sem medo do jogo
feder antes
que se remonte em asas
terça-feira, 22 de maio de 2012
CHÁ DO CHATO (la contrareformica)
chatoidodo
chatodoi
já tudo foi africano
núindiano
contratado fatoanti
relato
da história morta em contrapartida
escatofórmica
escapuliu a formada
eclesiasticidade
pela amortecidade dos retratos
fadados ao fracasso
reinunidos em troperdiçados
conferimonos noticiados
dados dando
olímpicos saltos soltos
em saturno
naufragueas virgens
matérias tribolentas
no rio no nilo
e outras tontas civilizadocracias
ambulantes
pois o relento antibastasse
descendedum tornado tornando
tudo lotado
lamaçal espumassado
em revolto mar
::
poesia para imagem de Renan Barbosa
sur méditant
22/05/2012
.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
domingo, 25 de dezembro de 2011
canto capibaribe
Vi,
vivo perto das aves, ultimamente: elas vocalizam o começo e o fim da noite. e são tão belas as transições... o tempo das asas suspende as imagens. os inícios sofrem de sede esguelada pela revelação reinventada nas manchas. ficamos lançados contra um espaço estupidamente vazio, onde temos que nos ouvir e confiar o canto que quando ecoa soa tonto. inspiramos portanto os lentos processos na repetição do sol dançando com a terra, até notar que a luz movimenta eloquente. enche de cor mas pisar fica pesado.
entojar notas inflamadas em busca do brilho me revelia.
enquanto o pé recria caminhos, essa cabeça vicia o lar.
enquanto o pé recria caminhos, essa cabeça vicia o lar.
faz leve refutar.
um assobio
gabriel
25/12/2011
.
bilhete aberto à querida amiga cantora, Virginia Capibaribe.
bilhete aberto à querida amiga cantora, Virginia Capibaribe.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
pelo menos não era pra esquecer
vocacionei à loucura
para me render
um pouco indevido
na maneira de estar
a cultura estrutura o que pensar
em um ritmo
cambale camaleante
que porém não gosta
pela natureza naturalmente
imposta
no decorrer dos fatos
todos sabem onde
cabe o que
é normal
e quem não é
...e quem não é?
o bovino come pastos
o peixe nada
o santo baixa
em volta muda
nada é tão morrer ontem
e preciso como hoje
a cada vez.
para me render
um pouco indevido
na maneira de estar
a cultura estrutura o que pensar
em um ritmo
cambale camaleante
que porém não gosta
pela natureza naturalmente
imposta
no decorrer dos fatos
todos sabem onde
cabe o que
é normal
e quem não é
...e quem não é?
o bovino come pastos
o peixe nada
o santo baixa
em volta muda
nada é tão morrer ontem
e preciso como hoje
a cada vez.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
só por isso
!
na fronteira o limite
é tênue
quase infinito.
///////
dentro de tudo existe
um sol
debochante
e no centro um
outro des
manchante.
!
na fronteira o limite
é tênue
quase infinito.
///////
dentro de tudo existe
um sol
debochante
e no centro um
outro des
manchante.
!
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
o difícil passeio paralítico
a gente cresce e pensa que amadurece, mas acaba que se enrasca e recorre ao santo espírito.
o pior, visto isso, é quando acontece de enxergar que só depende de uma ou algumas atitudes para que um caminho novo transcorra. a mente precisa estar tranquila de nobreza para aceitar a humildade de ser incapaz. lembre sempre e porém que ninguém descobre o tamanho do sempre, tampouco da vida; as coisas nos enfrentam e afetam justamente porque sentimos que elas existem. não adianta negar, a coisa volta, às vezes revolta. igual palpite da vovó maroca sobre a novela. pode confiar.
pois bem, é preguiça ou medo que demarca o limiar do que pode ao que há?
não tem segredo, resta enfrentar. pode ser luta, ou não até. o importante necessário é querer e destemer o fracasso, pois se tiver que sê-lo, ainda assim, haverá que experimentá-lo. força como nunca suspeitou.
a vida não parece muito além de movimento, de vivenciar o que buscamos, largamos e descobrimos. não reagir é permanecer no estado de mortovivo. e esse pode ser o mais nocivo dos fracassos, a paralisia.
o medo maior
desconfigura
o sabor do sorvete
derretendo
nos dentes pro coração.
]:[
a imagem de uma ave
talvez seja
a mais bela e permanente das minhas idéias
até o pássaro me atacar
e eu perceber que ele pode
e me saboreia
enquanto me dói.
;
http://soundcloud.com/danielbenflos/cl-ssica
/
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
sensível demais pra ser verdade
uma coisa nova chega
como sempre
e ousa um pouco
até repetir
e aí ela me pede
depois me pode
mas esquece
que eu não quero
repetir
o frescor
só isso dá
tesão
de querer continuar
23/09/2011
*ou então por alberto caeiro:
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
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como sempre
e ousa um pouco
até repetir
e aí ela me pede
depois me pode
mas esquece
que eu não quero
repetir
o frescor
só isso dá
tesão
de querer continuar
23/09/2011
*ou então por alberto caeiro:
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
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sábado, 2 de julho de 2011
do céu
dias de nada passam pela alma.
----------------------------------------
você dá vontade de
bicar os estribilhos
e brincar de sol
nos outros
destrambelha
o pouco tempo
que temos
para devaneios
curiosos
seu tom de guria
põe som no meu dia
e sinto um cheiro
de imaginação
precoce
faz do jeito
como se faz um doce
de criança
perfeito
com olho melado
e sorriso dentado
ainda mais me encanto
quando percebo
que é de nada
que vidamos
simplesmente portanto.
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você dá vontade de
bicar os estribilhos
e brincar de sol
nos outros
destrambelha
o pouco tempo
que temos
para devaneios
curiosos
seu tom de guria
põe som no meu dia
e sinto um cheiro
de imaginação
precoce
faz do jeito
como se faz um doce
de criança
perfeito
com olho melado
e sorriso dentado
ainda mais me encanto
quando percebo
que é de nada
que vidamos
simplesmente portanto.
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sábado, 23 de abril de 2011
outros fantasmas e as formas
sou atacado pelos objetos mesmo sem alcançar o que sou. por que vingança não sei, mas farejo. onde mais vejo é que acontece. me queimo quando outro olho percebe que nesse vértice há outro porém. e penso "bem... quanto mais verdade, menos tem". realizo que ou não importa, ou importa tanto, que se não há troca, não há ato. me assusta o fato de romper com qualquer contrato, no entanto não me espanto se o faço ou ensaio. deve ser mais medo que vontade. a vida responde sempre na medida do alarde, testando a tempestade nas veias, pulsando e pulsando até não parar; desde que mude. a lucidez proporciona opções diferentes e as escolhas se entrelaçam. existe um quero destoante do sinto. brilhante instinto. brilhantismo esquisito. um pouco mais de espaço pra pensar no tempo das coisas já que tudo ficou menor.
se tornamos a evocar a alma é de morte que estamos.
o que não encaixa se desdobra.
.
se tornamos a evocar a alma é de morte que estamos.
o que não encaixa se desdobra.
.
segunda-feira, 21 de março de 2011
old times, same feelings
gostaria de indicar esse álbum pela falta do que dizer e pelo excesso de mumunhas.
!!
John Lennon - Plastic Ono Band [1970] - remasterizado
!!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
que dói
não é frio
não é fino
não é faca
não é febre
não resolve
não explode
não reserve
não é segredo
não é verão
não vira nunca
não é não
não é fino
não é faca
não é febre
não resolve
não explode
não reserve
não é segredo
não é verão
não vira nunca
não é não
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
senza crema [è trovare l'italiano]
.ser tão sim plista,
enxergar o óbvio
e desconhecê-lo
por possuir idéias de terceiro
e convencê-lo
de que só houve
se ouviu
embora se console com
cem mil
concorda que falta
atmosfera na alma
até que mata
sem sol
sem som
sem nata.
enxergar o óbvio
e desconhecê-lo
por possuir idéias de terceiro
e convencê-lo
de que só houve
se ouviu
embora se console com
cem mil
concorda que falta
atmosfera na alma
até que mata
sem sol
sem som
sem nata.
sem tom, sem pegada, de passagem entendeu nada. se trumbicou ao invés de se comunicar. fora surpreendido fora de hora. e passou. argumentou. mentirou a verdade que crê. quebrou a cara sem sujar. se fosse ajudar preferia não ser. tudo se aprende sozinho - "antes só que dentro do ninho" -, diz o lema. mas o problema é que assim não se troca. se elimina. e não te devo explicar que se deve aceitar certas dificuldades e embarcar. a não ser que não deseje. ou eu, ou tu foge pro egito. nulla è stato capito
!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
não sei a que mão chegará
sei que você gosta de se sentir livre. pergunta a todos se não deveria perguntar. age espontaneamente sensível ao outro. às vezes força um momento, mas logo o desiste. não persiste à toa. faz jogo duro consigo. caminha só quando o solo encaixa. pede desculpa sem culpa pois escuta. demora quando não há tempo com hora. volta assim que lhe vem. receia compromisso com quem convida demais. sonha pelos cotovelos. pede pra parar mas não respira. descobre o infindável a esmo. destoa nos relacionamentos pobres. vê no simples o porém. cala pra não competir, a não ser que se defenda. ainda assim, não grita. prefere o que não corresponde. explora os cantos. dorme pouco e firme. permite pra tentar relaxar...
pensar nas coisas
faz pensar as coisas
e como elas se dão
estica tanto a palavra
que esquece de vivê-la.
terça-feira, 6 de julho de 2010
indiscussão
a negação. um espaço preto antes de branco. aquilo que preenche e depois releva.
um posicionamento radical exerce uma força maior pelo desconforto. como consequência, a própria rejeição. possivelmente aquela que de antemão não se acolha, mas que mergulha e revela.
nada de novidade na opinião alheia, um sim talvez não. o radical abomina o fim da discussão. ele perturba e rulmina indagação. sabe muito que em si não há verdade, mas masturbação. exige um contraponto pra pensar, vomitar e recolher migalhas de ar. sua própria negação consiste em fingir. como se a domínio de um nada houvesse um palanque circense propício ao desenvolvimento das coisas. vago assim a ponto de ser o artifício de maior verdade.
e o que seria de menor verdade? a vida como ela se propõe. o esgarçamento de malditos populares. neuroses múltiplas. dissipação de inícios homogêneos. berros de ensejos individuais. notórias diferenças abafadas em suas crenças. um pouco de tudo, que ao radical soa um tanto irrisório.
o não fere, duvida, dissipa, descamba, arremata, debocha, retalha - e consegue ser, indesejavelmente, a alegoria de uma ilusão. a existência incômoda e por isso mesmo existente. um mimo à beça.
revés de começo por princípio.
----------------------------------------------------------------------
Seja eu o homem
seja ela também
seja ela o homem da história
seja a história invertida
seja eu uma coisa ou outra.
Serás, de partida,
o avesso da vida.
janeiro/2007
----------------------------------------------
vou ser vida
devaneia
a temporal.
abril/2010
sábado, 3 de julho de 2010
contem plativo
debruça na janela
uma esperança
de liberdade
quando há céu
como se fosse
mais tarde que pudesse
antes mesmo
que voasse
interminável
mente.
uma esperança
de liberdade
quando há céu
como se fosse
mais tarde que pudesse
antes mesmo
que voasse
interminável
mente.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
fluxo
desescolher
romper
desencontrar
nascer
desaprender
aprender
descompassar
escolher
desencaixar
perceber
alargar
descaber.
romper
desencontrar
nascer
desaprender
aprender
descompassar
escolher
desencaixar
perceber
alargar
descaber.
domingo, 21 de março de 2010
carta de fulano
«caro afeto,
você é companheiro do respeito. acho que isso tem a ver com amor. envolver-se por admiração. aproximo-me daquilo que permeia paixão, encantamento, vontade de ter pra si como presente. por pura absorção. coisa que constrói.
a gente descobre sobre a vida e se impõe sobre as coisas; como ao tempo, por exemplo. portanto, arte não deve estar a serviço dela mesma como um conceito, mas de um sentimento sincero de estar.
e como pode ser tão possível um afeto desperto ressonar, reavivar e preencher a vida?
é uma mistura de fulanos que se fazem aparecer e que fascinam na mais perfeita ausência de gênero. desejo elas como musas, ligação de carinho e tesão em muito. desejo eles na troca de afeto com mais enfoque e seriedade. mas é mentira. entre nós tudo ocorre e permuta entre si. desejo ele e ela do mesmo jeito. canalizamos através daquilo que limitamos contextualmente em racional. nós é que estamos anjos.
você não tem origem…
tem certeza?
tem certeza?
admiro outros dois fulanos: um conhece e o outro sabe - ambos dominam seus afetos tortos, ainda que. minhas fotos são diagonais, uma visão escalena. nossa interseção consiste em sermos largos nos nossos quereres.
e nos alikementamos.
sinceramente,
fulano. »
e nos alikementamos.
sinceramente,
fulano. »
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
atemporalizando o sei
após descoberta, a familiarização. processo todo incessante do saber. tempo que sempre.
o verborrágico se esquece pro artesão.
a vida empurra conceito estufando o lógico. por isso a dificuldade muita de assimilação das informações desencontradas.
as explicações tendem ao que nos existe.
em suma, dialética do amadurecimento:
:}
el topo
ele sempre. o tempo
é oco. bate e volta.
fulano que sacou.
{:
ouça sempre
o que espera
tempo
reflete era.
o verborrágico se esquece pro artesão.
a vida empurra conceito estufando o lógico. por isso a dificuldade muita de assimilação das informações desencontradas.
as explicações tendem ao que nos existe.
criar conceitos não surge do vácuo. muito pelo contrário. da mesma fonte que tudo. as bifurcações transbordam descaminhos no contato com o outro e com o resto. nas mais corriqueiras ações.
em suma, dialética do amadurecimento:
aprendendendo uma coisa, incrivelmente ensina-se outra, pois princípio inspira a retórica. (e pausa). o silêncio dos inervalos de ações pesa tanto que esparrama experiência vida abaixo. escora nos inícios. e pelos finalmente.
atemporalizando-se.
atemporalizando-se.
:}
el topo
ele sempre. o tempo
é oco. bate e volta.
fulano que sacou.
{:
ouça sempre
o que espera
tempo
reflete era.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
acontessência
a vida perdoa só tempo. aquele tal uno colossal. pudesse viver de tudo a esquecer de passado e a vida seria muito. do acaso ao talvez. engraçado como é árduo pra difícil. como mais foge que aproxima essa querência. para isso, é claro, elucubra-se essência e morte até.
o medo é vertente da vida. um sadismo cômodo em mover sofrendo.
não há dúvidas do maior, ainda que escuro. sensações impulsionais pulsantes do eterno. um peso sem vago de total esmago. leve quando desencaixa em livre conexão. isso encuca. faz crer nomes diversos [arte, deus, essência, meteóro, nirvana, gol, suor, canto, ballet, rio, etc, etc e etc].
responsabilidade juvenil de ser. intensa busca por identidade que não se basta. quanto mais indócil menos invólucra, apesar de amadurecida. acontecimento existencial natural enquanto sobrevivência. refutação do é pelo deveria. necessidade de aceitar a realidade anacrônica ao conhecimento.
genética responde por involuntariedade. arte assume insanidade.
de resto, sociedade.
o que não tem juízo...
-------------------------------------------------------
sobre alma
sei doar
pelo olho
recomeço
logo um gesto
sem avesso
e assobio
pra ensinar
ou recrio
sem pensar
o que transforma
tanto
de vida
em lar.
13/08/2009
--------------------------------------
--------------------------------------
o medo é vertente da vida. um sadismo cômodo em mover sofrendo.
não há dúvidas do maior, ainda que escuro. sensações impulsionais pulsantes do eterno. um peso sem vago de total esmago. leve quando desencaixa em livre conexão. isso encuca. faz crer nomes diversos [arte, deus, essência, meteóro, nirvana, gol, suor, canto, ballet, rio, etc, etc e etc].
responsabilidade juvenil de ser. intensa busca por identidade que não se basta. quanto mais indócil menos invólucra, apesar de amadurecida. acontecimento existencial natural enquanto sobrevivência. refutação do é pelo deveria. necessidade de aceitar a realidade anacrônica ao conhecimento.
genética responde por involuntariedade. arte assume insanidade.
de resto, sociedade.
como desculpa
pisar sobre pisos
rir sobre risos
amar sobre outros
intuir sobre coisas
por acontecer.
o que não tem juízo...
-------------------------------------------------------
sobre alma
sei doar
pelo olho
recomeço
logo um gesto
sem avesso
e assobio
pra ensinar
ou recrio
sem pensar
o que transforma
tanto
de vida
em lar.
13/08/2009
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
e o caráter criativo
conhecimento é imaginação saturada.
não existe graça fora do mistério.

o que
é
parece
e
foi-se.
rótulo se apresenta em certidão. comunhão abençoa o encontro. e graças aos códigos, rompemos fronteiras de relação ao comunicar...


sem desconstrução, o que resta?
.
não existe graça fora do mistério.

o que
é
parece
e
foi-se.
rótulo se apresenta em certidão. comunhão abençoa o encontro. e graças aos códigos, rompemos fronteiras de relação ao comunicar...

Quando nos codificamos, pretendemos nos fazer entender. Assim, parecendo simples, se realiza a comunicação. O que percebo atualmente, contudo, é o desinteresse pela (falta de) identidade do Outro por razões diversas, que vão da educação cultural aos adventos tecnológicos alicerçando a pós-modernidade. A Geração Matrix engatinha carregando pilhas, enquanto o sujeito de agora não acompanha tanto avanço, se oprime no que sente, busca o analista fervescente de angústia ao invés de andar pelas ruas. A capacidade de arte continua restrita, ainda que mais democrática, ardendo subversiva no sagrado intelecto. O resto come massa no prato principal.
Não compreendo como é que a individualidade fria, por ora ambígua, se realiza quando o comum grita banal em manchetes, esparramando-se em conversas de bar, mesas redondas, eventos familiares e etc. Por que as pessoas consomem tanta informação sucateada, quando deveriam se preocupar prioritariamente em produzi-las? Não é incrível presenciar experiências que ensinam vida? Ou ter uma estória a contar? Ou um conhecimento que nos leva a uma criação por refleti-lo? Enfim, interrogativas que se resumem a autodescobertas e que, portanto, não se bastam em explicação.
Parece que comunicar é raro somente aos que exercem tal função social, quando a prática antecede em milênios a profissão. O que nós, comunicólogos, podemos afirmar é teoricamente ter um maior domínio sobre o que são os signos, como, qual e por que (tentam) se comportar de tal maneira; mas de que adianta? Que repertório é esse explorado por nós, se não um achismo estatístico sobre o que se entende por vocábulos e imagens? Prefiro deixar que a ciência e a religião se embestem com suas verdades fajutas.
O desinteresse lingüístico para com as imagens, sons, sobretudo palavras, reside na falta de silêncio na interação, ou seja, na assimilação dos códigos – por que não pelos poros? A imaginação nos é livre, onde existem vísceras de desejos. Entretanto, a comunicação me parece um eixo fast-food de associação grosseira até curta, sem refutação com tempos. A educação de sensatez de mundo se restringe à realidade pesada de superética, na busca rasa por bom senso comum. Creio na importância do perceber sensível ao que nos convém no cotidiano, no pensamento enquanto produção de individualidade para a sociedade, e não tão somente para si, pois não há ciclo humano autotrófico.
Um rio brota de ressurgência num sítio onde silêncio cospe, análogo ao sapiens estando afeto, nu, e praticar-se é o ato máximo de criação que pode infinitar o diálogo. Não julgo poderes divinos sobre os homens, desloco apenas a capacidade interpretativa do óbvio à liberdade. Há uma certa preguiça medrosa em contestar e/ou aceitar a ignorância como elemento fundamental da descoberta – ao comunicarmos, rompemos a fronteira do desconhecido. Se a mera reprodução valesse, o Outro seria barulho espelhado. Lembremos, pois, que o Outro, distante de repetição, não tem cara, é resto de gente ou poeira sem coisa; daí a invenção.
Não compreendo como é que a individualidade fria, por ora ambígua, se realiza quando o comum grita banal em manchetes, esparramando-se em conversas de bar, mesas redondas, eventos familiares e etc. Por que as pessoas consomem tanta informação sucateada, quando deveriam se preocupar prioritariamente em produzi-las? Não é incrível presenciar experiências que ensinam vida? Ou ter uma estória a contar? Ou um conhecimento que nos leva a uma criação por refleti-lo? Enfim, interrogativas que se resumem a autodescobertas e que, portanto, não se bastam em explicação.
Parece que comunicar é raro somente aos que exercem tal função social, quando a prática antecede em milênios a profissão. O que nós, comunicólogos, podemos afirmar é teoricamente ter um maior domínio sobre o que são os signos, como, qual e por que (tentam) se comportar de tal maneira; mas de que adianta? Que repertório é esse explorado por nós, se não um achismo estatístico sobre o que se entende por vocábulos e imagens? Prefiro deixar que a ciência e a religião se embestem com suas verdades fajutas.
O desinteresse lingüístico para com as imagens, sons, sobretudo palavras, reside na falta de silêncio na interação, ou seja, na assimilação dos códigos – por que não pelos poros? A imaginação nos é livre, onde existem vísceras de desejos. Entretanto, a comunicação me parece um eixo fast-food de associação grosseira até curta, sem refutação com tempos. A educação de sensatez de mundo se restringe à realidade pesada de superética, na busca rasa por bom senso comum. Creio na importância do perceber sensível ao que nos convém no cotidiano, no pensamento enquanto produção de individualidade para a sociedade, e não tão somente para si, pois não há ciclo humano autotrófico.
Um rio brota de ressurgência num sítio onde silêncio cospe, análogo ao sapiens estando afeto, nu, e praticar-se é o ato máximo de criação que pode infinitar o diálogo. Não julgo poderes divinos sobre os homens, desloco apenas a capacidade interpretativa do óbvio à liberdade. Há uma certa preguiça medrosa em contestar e/ou aceitar a ignorância como elemento fundamental da descoberta – ao comunicarmos, rompemos a fronteira do desconhecido. Se a mera reprodução valesse, o Outro seria barulho espelhado. Lembremos, pois, que o Outro, distante de repetição, não tem cara, é resto de gente ou poeira sem coisa; daí a invenção.

sem desconstrução, o que resta?
.
domingo, 26 de abril de 2009
tempo emerge todo o tempo
...
há um que se desmonta falho.
memória.
outro mesmo escangalha.
história.
quando não ilusório.
contrário.
ou até cósmico.
onírico.
memória.
outro mesmo escangalha.
história.
quando não ilusório.
contrário.
ou até cósmico.
onírico.
se retarda em distâncias.
fragmenta esferas.
boicota espaços.
forma eras.
engana.
síndico do saber.
morador do silêncio.
cínico
em desvario
esconde mistério.
basta
atender
ao chamado
contemporâneo.
atender
ao chamado
contemporâneo.
[ . ... . ... .]
que tempo não se tempera com tempo?
.
domingo, 8 de março de 2009
tom de silêncio
não é de voz, mas de linguagem. bordeia imagem. respira o descompasso do som. cheira a vapor. passeia entre dentes e engole seco. tateia como ar. mistura com o vento o que se há.

percepção espreguiça tênue, prestes a desmistificar a sombra da natureza e a crise entre homens ensolarados. fruta madura não hesita origem. política despenca de hipocrisia. ambas desabitam o silêncio. a interação surte de cor espontânea. a mente me parece flecha sutil e o instinto voraz ingênuo. faz tempo que imitam folha até a morte. afeto brota em ressurgência. de vida, pois, sacia tudo aquilo que se molha.
toda falácia desfalecia.
muito acontecer sobre nada - sopro de linguagem oca.
era o parto dos contrastes. festa sem alarde.
ensaio de felicidade.
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Domingo cedo
goteira logo
boceja
28/12/2008
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"Olho é uma coisa que participa o silêncio do outro."
Manoel de Barros

percepção espreguiça tênue, prestes a desmistificar a sombra da natureza e a crise entre homens ensolarados. fruta madura não hesita origem. política despenca de hipocrisia. ambas desabitam o silêncio. a interação surte de cor espontânea. a mente me parece flecha sutil e o instinto voraz ingênuo. faz tempo que imitam folha até a morte. afeto brota em ressurgência. de vida, pois, sacia tudo aquilo que se molha.
toda falácia desfalecia.
muito acontecer sobre nada - sopro de linguagem oca.
era o parto dos contrastes. festa sem alarde.
ensaio de felicidade.
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Domingo cedo
goteira logo
boceja
28/12/2008
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"Olho é uma coisa que participa o silêncio do outro."
Manoel de Barros
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